09/06/2015

Viagem para Detroit


Final de semana e a gente com aquele fogo que só passa se viajamos pra um lugar novo...

Semana passada estávamos entre ir para Cuba, Chicago, 1.000 Islands ou Detroit. Cuba era a favorita, mas teríamos pouco tempo por lá então não valia a pena, Chicago tava muito cara, principalmente por conta das passagens aéreas, 1.000 Islands dá pra fazer em qualquer final de semana, então decidimos por Detroit - que a gente sempre quis conhecer.

Detroit é uma cidade comumente associada à pobreza, crime, abandono, poluição, fábricas fechadas, desemprego e a casas que podem ser compradas a preço de banana.

E a verdade é que essa fama mesmo é o que mais nos atraia. Cruzamos a fronteira para descobrir se a fama condiz com a realidade.


RELATO DE VIAGEM

1o DIA

Partimos na quinta de manhã. Pegamos um ônibus que leva mais ou menos cinco horas de Toronto a Detroit e que foi a forma mais barata que vimos de viajar. Chegando na fronteira os guardinhas americanos fazem as perguntas de sempre... e mais algumas, acho que pra ver se eu estava mentindo. Depois de um pequeno interrogatório o guardinha, nesse momento já meu "colega", brincou comigo que eu, carioca, tinha ido morar em Toronto por conta da violência no Rio e agora ia passear em Detroit. Preventivamente me avisou que eu seria assaltada.

Vista da rua da rodoviária
Depois disso a chegada na rodoviária, que fica numa rua bem deserta, me deixou assustada e pegamos um taxi até o Hostel. DICA: negocie o preço da corrida antes E tenha trocado pra pagar, porque eles roubam MESMO.

Bom, chegamos no Hostel Detroit, onde fomos super bem recebidas. O hostel fica numa casa que foi reformada com ajuda da comunidade. Dentro dela, se vê quatro apartamentos que foram unificados no hostel. Lá se pode encontrar vários quartos comunitários ou privados, 4 cozinhas, 4 banheiros, salas de estar, sala de computadores, sala de filmes... Depois do Checkin, fomos passear pelas ruas da cidade.

O Hostel
Nosso quarto
De cara, fiquei impressionada. As ruas ao redor do hostel eram vazias, casas espalhadas aqui e ali, gramados mal cuidados. Caminhamos pela estrada quase vazia de pedestres. Descemos a Michigan Avenue em direção ao centro e a "rua movimentada" nos parecia quase deserta, em plena quinta feira. Chegamos ao centro mortas de fome e comemos MUITO MAL no HI e de la fomos dar uma volta. Claro que exageramos. Andamos tanto que nossos pés doiam loucamente. Na volta pro Hostel, já tarde da noite, mal tivemos forças pra tomar banho antes de capotar.

As ruas próximas no Hostel
Michigan Central Station
Me senti muito nos EUA passando por esse viaduto
Vista do viaduto
Michigan Avenue
Por todo lado Hortas Urbanas
The Book Tower

Monumento em comemoração à Estrada Subterrânea por onde escravos americanos
escapavam para o Canadá em busca da liberdade. Os prédios na frente são canadenses.
Delicia passear por aqui.
E descansar nessas espreguiçadeiras
Prédio da GM é assustador. Por dentro e por fora. Coisa de Ficção Científica
O People Mover custa 75 centavos e é um ótimo jeito
de ver o centro da cidade de cima
De dentro do People Mover
Demos algumas voltas pra descansar as pernas 
Greek Town
Lojinha no Greek Town
Em ruínas

2o Dia

Resolvemos alugar duas bikes no Hostel. A cidade é incrivelmente boa de pedalar. Não que a infra para bicicletas seja lá essas coisas, ou porque os motoristas sejam bem educados, mas porque as ruas são super largas e os carros são poucos. Além disso a cidade é toda plana e a maior parte das coisas que queríamos fazer ficava a 15/20 minutos de bicicleta.

Planejando o trajeto antes de sair do Hostel
Esse era o bairro onde estávamos
Casa abandonada
Lateral da Casa
Chegamos perto da Estação Central



Casinhas do Bairro

E uma fazendinha urbana
Mari num caso de amor e ódio com a bicicleta que freiava pedalando para tras.
De repente caiu uma chuva loca e fomos parar
nesse PUB ótimo chamado St. Cece
De lá pedalamos para o Museu da Motown que foi absolutamente emocionante.
Infelizmente o tour é MUITO rápido e caro, então faça o possível para ver tudo o mais rápido possível.
Infelizmente, eram proibidas fotos.
Mas lá dentro tem o estúdio original onde artistas como Marvin Gaye e Ray Charles gravavam.
Além da recepção fotos e mais fotos, filmes, roupas e adereços, dentre outras coisas.
Pedalando por ruínas achamos esse prédio.
Será que a palavra "piquete" de greve vêm daqui?




Resolvemos conferir o DIA, onde estava rolando uma exposicão do Diego Riviera e da Frida Khalo sobre o período em que passaram em Detroit, a convite dos Ford, para pintar um mural em homenagem à indústria automobilística.
Esse mural 
Coisa mais incrível


Pra encerrar a noite fomos no Boliche mais antigo da cidade
No qual fiz minhas poses incríveis e paguei cofrinho

3o DIA

Mesmo mortas, alugamos novamente as bikes pois queríamos explorar coisas longe do hostel.

Planejando o dia
Começamos aqui, no Eastern Market
Aqui se vende de tudo um pouco, flores, verduras e legumes, plantas, carnes, antiguidades 
Me impressionaram muito as flores
A Mari descobriu que as antiguidades são tão baratas
que vale a pena cruzar a fronteira só pra isso
Além disso ao redor há vários restaurantes.
Comi a melhor panqueca da minha vida em um deles
Em seguida fomos fazer o Free Walking Tour desses caras
Eles têm vários tours
Nossa Guia
Memorial ao Joe Louis
Guardian Building hall
Uma praia no centro da cidade


O people mover de novo
Cenário de filme

Almoço no Grand Trunk Pub, que fica onde
antigamente se vendiam bilhetes de trem
É lindo lá, mas não tiramos fotos. Alem da selfie, claro.
Depois pedalamos pelo Dequindre Cut para ir pro norte
Um lugar lindo e cheio de grafites maravilhosas 

Muito gostoso de pedalar por aqui


Chegamos no Heidelberg Project



As obras são muito bacanas
House of Soul

Algumas bem macabras
Infelizmente Tyree Guyton, o artista, nos pareceu meio babaca. Preferia não ter conversado com ele.
Outro artista localizado na mesma rua: Tim Burke. Com ele conversamos muito e gostamos a beça
Ele faz Raw Art 
Umas coisas bem bacanas, construidas com pedaços da cidade
Estávamos com fome e ele nos deu a dica de onde comer e beber cerveja boa.
Essa foi a primeira cervejaria de Detroit. Além de uma cerveja ótima, a comida é uma delícia.
E o bar é LINDO DE MORRER 
Eles usam produtos locais. E também têm um jardim no telhado

Eles plantam flores comestíveis, tomates, algumas folhas e temperos.

Têm até uma green house!
Logo em frente tem outra cervejaria
E a cerveja mais gostosa da viagem.

 4o DIA

Estávamos mortas. Acordamos moídas e atrasadas. Era dia de Parada do Orgulho Gay e queríamos ver o desfile, que começava ao meio dia. Infelizmente não deu - tivemos que comer e deixar as mochilas no locker da rodoviária e acabamos chegando às12:45 e o desfile já estava totalmente disperso. Acho que é tão pequenininho que deve durar apenas uns 30 minutos. Então fomos apenas na festa. Mas primeiro, fomos conhecer um estacionamento pra lá de luxuoso.

No 10o andar uma boa vista da cidade


Daí começamos a descer e descobrir as obras de arte em todas as paredes










FInalmente a Pride
Com direito a show da Tina Turner
Esses Drag Kings com essa menina fizeram o maior sucesso
Ganhando uma grana
No meio das barraquinhas encontrei
Daí o tempo fechou
Fomos ver um filme nessa prédio horrível
Chove chuvaaaaa 
Dentro do prédio parece Miami com esses coqueiros falsos
É isso. De lá fomos pra rodoviária e chegamos na segunda de manhã. Mortas e felizes.

Pra terminar, um videozinho 

video

11 comentários:

  1. Adorei, Barbs. Muito bom. No final das contas então, valeu a viagem, né? Bjs.

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    1. Super valeu Kal. Já to louca pra voltar lá.

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    2. Super valeu Kal. Já to louca pra voltar lá.

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  2. Bárbara, você não sabe como fiquei feliz em ler o texto e ver as fotos de vocês em Detroit. Em 2012, Pedro e eu assistimos a um filme sobre a crise da cidade e aquilo foi um tanto avassalador pra mim. E embora o seu texto seja alegre, esperançoso, a verdade é que em poucas fotos se vê gente, então eu fiquei com a pulga atrás da orelha e fui procurar mais informações sobre Detroit. Encontrei em http://luciana.misura.org/2014/09/04/como-e-morar-em-detroit-michigan/ um texto bem interessante. (A foto que me deixou realmente feliz foi a do abraço da Mari em uma moça numa barraca que vende livros cristãos.)

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  3. Na verdade, a foto da Tina Turner também me deixou exultante!!!

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  4. Hahaha!
    Pois é, Detroit é uma cidade estranha, mas é linda em seu jeito particular. Há pouca gente na cidade para o tamanho dela, mas dá pra ver que a cidade está se reinventando. Conversamos com alguns moradores que disseram que o sentimento na cidade é de que se faz parte de um "time" em que todos trabalham em prol do desenvolvimento da mesma.

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  5. Sobre as fotos, a da barraquinha era na Parada do Orgulho gay. Lá eles não estavam vendendo livros, mas sim falando das igrejas presbiterianas que não discriminam as pessoas LGBT de maneira alguma - inclusive não veem pecado algum nas diferentes formas de amar. Essa moça conversou a beça com a gente e nos convidou a visitar algumas igrejas. Falei de você e tudo e ela perguntou se vc queria fazer um skype com ela! :)

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    1. Adoraria! Vejo, porém, dois grandes problemas: a língua e o skype. :(

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    2. Aliás, quando estive em Toronto, deixei pra você o livro Maravilhosa Graça, em que o autor fala sobre essa questão dos homossexuais e a igreja. Foi por esse motivo, inclusive, que deixei o livro contigo. Vê se lê. O livro é maravilhoso.

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  6. Ah! A Tina Turner tb foi a minha favorita!

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